sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Deprê...

Bom dia, gente! Eu sei que eu deveria contar as coisas na ordem cronológica, mas, de verdade, não tenho a mínima condição agora... O que eu tô precisando mesmo é contar pra vocês como eu estou me sentindo...
Eu estou sentindo a solidão mais profunda que eu já senti na vida... Antes eu tinha meu marido pra me apoiar, pra ficar do meu lado, mas depois do que ele disse ontem, me sinto completamente só nessa luta!
Estou fazendo terapia há um mês, pra ver se acabo de uma vez por todas com esse problema. Acontece que eu nunca gostei nem acreditei em terapia, e como sou uma pessoa muito racional, às vezes é difícil pra mim encarar as sessões, estou sempre incrédula, sabe? Ou seja, toda vez que eu saio da terapia, saio cheia de pulgas atrás das orelhas, cheia de dúvidas, muitas vezes com raiva do terapeuta, essas coisas...
Ontem, tive sessão e não foi diferente. Saí de lá com todos esses sentimentos e pensando muito em tudo. Quando meu marido chegou do trabalho e me perguntou como foi, eu disse que foi como sempre, não queria "vomitar" todos aqueles sentimentos nele, mas ele insistiu bastante e eu acabei dizendo todas aquelas coisas confusas que estavam dentro de mim... Disse que eu me sentia enrolada pelo terapeuta, que não sentia nenhuma evolução, que estava angustiada com isso, que tava pensando em mudar o tratamento e blábláblá.
Daí ele começou a me aconselhar. Até aí tudo bem. O problema foram as conclusões que ele chegou. Ele me disse que toda a mulher sente alguma dor na relação sexual e que ele acha que eu não gosto de sexo, que eu gosto do MEU sexo (que é oral, carícias e tal), que eu não me interesso por penetração e que eu não estou disposta a passar um pouco de dor no começo pra ter uma "gratificação no final".
Enquanto ele dizia isso, meu mundo foi desmontando feito um castelo de cartas. Eu sei que foi só um pequeno "sopro", mas meu castelo está mesmo muito frágil... nesse momento eu percebi como ele nunca realmente foi capaz de compreender o que é essa doença, que é realmente incontrolável e eu senti essa solidão tremenda, achava que ele estava comigo nessa, mas não está, ele não sabe e acho até que não tem condição alguma de entender o que eu passo. Não tive coragem de cobrar essa compreensão dele, acho que pedir isso é querer demais, mas o fato é que não estou conseguindo suportar a solidão que estou sentindo...
Sou grata por ter encontrado vocês, bem no dia em que eu mais iria precisar!
Outra coisa que me doeu muito, foi que enquanto ele falava sobre como são as outras mulheres, eu não pude evitar de dizer a frase: "mas eu não vou reagir do mesmo jeito que as outras mulheres, porque eu não sou igual a elas, eu não sou normal!". Até agora estou sentindo a dor da constatação de que eu não sou normal...

3 comentários:

k disse...

Daniela, pus um comentário aqui ha pouco mas nao sei se voce recebeu. Diga me qualquer coisa.Beijo

Amor perfeito disse...

Amiga,

De novo a confirmação de como os casos são parecidos. Também ouvi palavras duras. Os homens não sentem como nós. Não mesmo. São diferentes. No meu caso, ouvi que o sexo tinha de ser natural, que qualquer um pode fazer... mas eu não fazia. Dói na alma, eu sei.

Normal... de perto ninguém é!! Todo mundo tem suas caracteristicas, sua história. Toda mulher faz sexo. Será? As outras podem fazer, mas têm defeitos que nem sequer imaginamos, inclusive de caráter e outros mais.

Enfim, não se deixe desanimar, viu? Sei que a baixa autoestima é uma das características mais comuns em mulheres com vaginismo (falo de cadeira), mas não podemos deixar a peteca cair.

Bjão

PS.: comprei os dilatadores mas ainda não chegaram. te conto depois como foi! Me mande um e-mail...

Manuela disse...

Terminei meu namoro ontem. Meu namorado não tem mais paciência comigo para enfrentarmos juntos esse meu problema. Confesso que no inicio fiquei acomodada, por pura inexperiência e alienação da gravidade que é o vaginismo. Várias vezes fui chamada de covarde. Ele não tem a capacidade para compreender meu sofrimento todas as vezes que tentávamos introduzir o pênis. Não fui diagnosticada, mas sei que o meu problema é esse. Ainda não comecei os exercícios para tratar, mal sei como começar.

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Que bom que vc decidiu compartilhar sua luta comigo! Vamos vencer, tenho certeza!
Agora eu aprendi, então, depois de comentar, pode voltar aqui que vai ter uma respostinha minha, tá?
Bjs