segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Como tudo começou

Bom, na verdade, eu sempre fui assim.
Quando era adolescente, tinha bastante dificuldade de colocar um OB (tampão), mas sinceramente, eu achava que isso fosse normal, que todas as virgens tivessem a mesma dificuldade que eu, então nunca fui encanada. Tinha lá uma posição em que era mais fácil, eu sempre usava essa posição e tudo bem.
Quando comecei a namorar, demoramos um pouco para tentar pela primeira vez, eu não me lembro exatamente como foi, mas sei que não conseguimos, porque durante todo o namoro nunca conseguimos de verdade. Nessa época eu era tão "fechada" que não entrava nada mesmo, se ele estivesse fazendo sexo oral em mim e tentasse colocar a língua ou um dedo, por exemplo, eu já sentia um incômodo terrível e às vezes até cortava todo o tesão.
Fui algumas vezes ao ginecologista de sempre e ele sempre me dizia a mesma coisa: a primeira vez é mais difícil, então fica tranquila, relaxa, usa um lubrificante, vai dar tudo certo.
Não deu tudo certo, nem uma vez se quer.
O namoro acabou, depois, por outros motivos. Digamos que foi uma incompatibilidade generalizada, rs, ele era muito ciumento e eu, como ele dizia, "simpática demais". :S
Tempos depois, comecei a namorar meu marido. Depois de três meses juntos, falei pra ele que era virgem, ele ficou surpreso, pq eu já era bem "velhinha" (tinha 23 anos), mas tudo bem. Tentamos diversas vezes e nunca conseguimos a penetração. Ele falou pra eu procurar o ginecologista e eu fui, de novo, no mesmo de sempre. E ele me disse o mesmo de sempre: a primeira vez é mais difícil, então fica tranquila, relaxa, usa esse lubrificante aqui, vai dar tudo certo.
Não deu certo. Mas meu então namorado e eu estávamos dispostos a esperar pelo casamento. Na realidade, eu achava que quando casasse, tudo iria mudar. Eu achava que era travada porque tinha medo de engravidar, porque não queria decepcionar meus pais e essa coisa toda.
Antes de casar, fui novamente ao médico, fazer alguns exames a título de pré-nupcial, desta vez, fui com meu marido (então noivo), explicamos tudo como era, contamos que ele tinha ouvido no rádio a respeito do vaginismo, mas o médico disse que não era nada daquilo e me receitou um lubrificante novamente. Casei e na lua de mel, também não deu certo. Resolvi então ir a um novo ginecologista. Ele me examinou, disse que estava tudo bem comigo e que, ao que tudo indicava, eu tinha mesmo vaginismo.
Ele me prescreveu uma série de exames, me deu um creme manipulado para "massagem" e me disse para ficar calma que tinha cura, que faríamos alguns exercícios e que tudo se resolveria. Nunca mais voltei nesse médico, sei que isso é ridículo, mas o fato é que fiquei com medo de ir a um laboratório para fazer o tal papanicolau e a ultrassom endovaginal.
Enquanto isso, eu fazia exercícios sozinha, na intenção de me curar sem precisar ir a um médico. Evolui sim, já conseguia colocar um e dois dedos e já conseguia ser penetrada "pela metade", mas chegava num ponto em que não ia mais. Além disso, era sempre a mesmíssima posição, se mudasse, não dava certo.
Foi então que, no começo desse ano, resolvi procurar algum outro tratamento. Procurei várias informações na internet e encontrei o site do terapeuta que estou hoje, marquei uma consulta e comecei a me tratar.
No próximo post, contarei como funciona o tratamento.
Bjs

5 comentários:

Amor perfeito disse...

É impressionante a falta de preparo dos médicos... A minha atual ginecologista também é zen demais pro meu gosto. Tenho 32 anos, disse que tenho vaginismo e ela falou: fica tranquila, vai dar tudo certo, dá tempo de vc ser mãe, ísso é uma coisa de cabeça e tal. Caramba!! E o que eu faço, espero (e o tempo está passando...)??? Profissionais precisam falar mais sobre isso, estudar mais... E a mídiam também precisa colocar esse assunto em foco nas revistas, nos programas. Senão, mais e mais gente vai sofrer, sozinha e calada, durante anos como eu (nós).

Bjs, Dani, e parabéns por ter ido além de esperar como seus médicos queriam!!!

Vaginica disse...

Me idendifico muito com vcs!
Tanto na esperança inicial de achar que um dia ia acontecer, até descobrir que o problema tinha um nome - vaginismo - , e que precisaria de muita dedicação...Descobri tudo isso faz um ano e me casei nesse meio tempo...Mas de alguma maneira também achei que algum milagre aconteceria e que se eu relaxasse tudo daria certo. Ainda nada, e meu marido chegou no limite! Perdeu a paciencia, a vontade e tudo mais...e eu estou piorando também. Já tomo antidepressivos e ansiolíticos h;a anos por causa dessa dificuldade, mesmo antes de saber que tinha nome e de não ter contado pra ninguem sobre isso, mesmo pro psiquiatra. Dizia que estava mal, que queria morrer e etc...(tudo verdade). Nesse um ano de tratameto tive momentos de muito animo, aprendi muito, mudei muitas de minhas ideias e evolui fisicamente mesmo (ja consigo introduzir uns dilatadores intermediarios), mas resolver de vez o problema, NADA!
Sou completamente revoltada com todos os medicos que fui nesse ultimo ano e contei o problema (com muita dificuldade), NENHUM tem noção do isto realmente significa, e que "me embebedar e relaxar" não adianta nada!
Estou num momento pessimo, achando que nunca vou me curar! Não sei mais o que fazer!

Anônimo disse...

Hahuauhau..pior que é mesmo..
eu tenho uma raiva enorme de médicos..
eles não tem solução pra nada e não sabem o que voce tem ou pode fazer..só dizem pra vc "relaxar".
Ninguém merece...

Anônimo disse...

Tenho 29 anos e tento com o meu marido há 7 anos uma penetração vaginal sem sucesso. Conseguimos fazer sexo anal sem problemas. Mas nunca tive uma relação vaginal. Estou acompanhando a sua história.
Bjos

Daniela Barros disse...

Oi, Anônima 1!
É verdade! Esses médicos que dizem pra gente relaxar é pq não sabem o que dizer, né? Como se fosse fácil... negócio é virar as costas pra ele e procurar outro médico. Tem muito médico ruim, mas tem os bons tb, é só procurar! Bjs

Oi, Anônima 2!
Obrigada por acompanhar minha história, espero te ajudar de alguma forma, se quiser contar mais e conversar, me mande um email, tá? Bjs

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Bjs